Sobre o silêncio

silêncio

O silêncio é quase um presente, neste mundo cheio de ruídos e de mal-entendidos.

Quando silencio, ouço melhor.
Quando silencio, sinto melhor.

Mais difícil do que o silêncio da boca, das palavras, dos sons emitidos é o silêncio interno, assim como o silêncio da mente, que por incrível que pareça é o mais necessário… É quando a ansiedade e a pressa se calam (ou são caladas à força), quando os compromissos são adiados por alguns minutos para que a prioridade seja outra.

Culpa desse hábito de falar e comentar tudo o que vemos, e ainda nos emaranhar entre sons e imagens, fugindo do encontro profundo com a realidade. É que a vida real às vezes é tediosa, boba e sem graça. Ou assustadora.

Quantos sons uma foto pode emitir? Risos, músicas, conversas. Fixamos os olhos em uma imagem por 20 segundos. Uma imagem estática. Mas dentro de nós aquela imagem se transmuta em filme em HD, 3D, 4D, afinal até os cheiros e sabores podem ser captados em uma lembrança que nos chame a atenção. Fotos são máquina do tempo.

É que o mundo ideal está na fantasia, então tudo aquilo que aperte o start da imaginação nos rouba para si.

O silêncio real

silêncioO silêncio e o som são como uma caixa e sua tampa. O excesso de informações e de estímulos me faz esquecer de parar um pouco, da doçura do silenciar, do aquietar, do olhar para dentro. Quem sou eu quando meu celular está desligado? Quem sou eu quando minha família dorme?

Desaprendemos a estar com alguém em silêncio. Sentir a presença de alguém sem precisar conversar, falar, comentar. Apenas estar presente, ao lado, perto. Ouvir sem nada extra, sem nada faltando.

Essa é a experiência do silêncio que mais gosto.
Mais do que muitas palavras, a força da quietude interna não precisa alardear sua sabedoria ou compreensão.
Podemos estar em grande intimidade, sem nada dizer. Sentir mais, falar menos, ouvir com o coração, não com os ouvidos.

Talvez as experiências mais profundas sejam silenciosas – quer de alegria, quer de tristeza.

Na cidade de São Paulo há muitos pássaros e seus trinados nos alegram. Mas, ao final do dia, eles se recolhem e surgem os sons da noite. É delicioso nos recolher em nós mesmos e reaprender a ouvir o grande silêncio. Buscar o ninho, o conforto, a proteção. Ouvir o silêncio e apreciar a vida. Fazer um balanço do que ouvir de novo e o que não ouvir.

Que se passa dentro de nós? Perdemos a capacidade de meditar durante a leitura, assim como de raciocinar sem interferências tecnológicas, sem transferir as conclusões para o Google, sem deixar que o barulho do outro se torne nosso barulho.

Preciso de quietude para ouvir, ler, escrever.
Não importa se em um sítio, na praia… ou no metrô lotado, ou esparramada no sofá da sala.
Meu silêncio sou eu quem faço.

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One Comment

  1. Sobre mariposas e borboletas - Anota, vai que esquece?

    […] fazem isso de dia, mariposas são noturnas e sua cor é para que possam se camuflar durante seu período frágil, no […]

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